Trump ataca Banco Central. Quem está louco?


O presidente Donald Trump abriu mais uma frente de combate. Bem ao estilo personalista que tem caracterizado suas ações desde que assumiu em poder no início do ano passado. Desta vez, o alvo é o Fed, o Banco Central americano, dirigido por Jerome Powell, por ele nomeado.
As bolsas americanas tiveram mais um dia de queda na quarta-feira (10). Mais e mais investidores estão vendendo ações para aplicar em títulos do Tesouro americano. Um movimento previsível, levando-se em conta a também previsível alta na taxa de juros do Fed. Os investidores deixam o risco do mercado de ações para o ganho seguro e cada vez mais alto dos títulos americanos.
“Creio que o Fed ficou louco”, reagiu Trump na quarta-feira, quando os jornalistas o indagaram sobre a queda no mercado de ações. E disse que considerava um erro a política do Fed de aumentar a taxa de juros.
Na quarta, o índice Dow Jones caiu 3,1% e o Nasdaq mais de 4%. No final de setembro o Fed aumentou a taxa de juros pela oitava vez. E sinalizou com mais uma alta em dezembro, numa escalada que pode ir até 2020.
A estratégia de Jerome Powell segue o figurino básico de política monetária dos bancos centrais. O desemprego nos Estados Unidos está no nível mais baixo em 50 anos. O salário real aumenta e a economia responde aos estímulos da política de Trump para turbinar o crescimento.
A inflação presente continua baixa, ao redor da meta de 2% ao ano. Mas o conjunto de fatores apontados acima indica pressões inflacionárias adiante. Por isso, o Fed se antecipa e ajusta as taxas de juros no presente e sinaliza com novos aumentos no decorrer do tempo.
Deixar que o processo inflacionário contamine a economia para só então atacá-lo tem um custo enorme para sociedade. Mas antecipar o combate ao problema, quando tudo ainda para às mil maravilhas, tem um custo político no presente.
Trump parece ambicionar um cenário tão ideal quanto impossível: economia aquecida, desemprego em recorde de baixa, salários reais em alta, estímulos fiscais para turbinar a atividade econômica.
Para não estragar a festa, o juro não pode subir, imagina Trump. A política monetária teria de ser passiva, não atuar para moderar o consumo e, por esse mecanismo, conter as pressões inflacionárias.
Para completar, a guerra comercial deflagrada pelo presidente americano já derruba as previsões para o crescimento mundial para os próximos anos. Na avaliação do FMI, que realiza em Bali (Indonésia) sua reunião anual, as barreiras comerciais vão afetar a todos. Mais a China, numa primeira etapa. Mais os Estados Unidos, no final do processo.
Tudo somado, temos uma receita completa para o fracasso. É uma questão de tempo, se tudo continuar na direção e no ritmo impostos por Trump.

Editoria de Arte / G1