Soja dá lugar a patos em campos inundados na Argentina após chuvas em excesso


País é grande exportador da oleaginosa e principal fornecedor mundial de farelo de soja para ração. Previsões indicam problemas em áreas produtoras marginais, mas não nas principais. Lavoura de soja afetada por inundação perto de Norberto de la Riestra, na Argentina
Marcos Brindicci/Reuters
O fazendeiro argentino Mario Giustocio observa uma série de tanques d’água formados sobre um campo que deveria neste momento estar verde com plantas de soja. O dia está ensolarado, mas a previsão do tempo diz que mais chuva pode estar a caminho.
Suas terras na província de Buenos Aires foram inundadas por 755 milímetros de chuva entre outubro e dezembro, em comparação com os 250 milímetros que normalmente caem durante o período.
“Estamos preocupados porque a previsão para janeiro a março diz que vai continuar chovendo mais do que o normal, e o solo já está saturado”, disse Giustocio, falando enquanto vacas e patos circulavam pelos campos de soja inundados.
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A Argentina é um grande exportador da oleaginosa e o principal fornecedor mundial de farelo de soja para ração. A principal região de soja da Argentina está ao norte e deve colher 50 milhões de toneladas ou mais neste ano.
Mas as inundações na comunidade de Norberto de la Riestra chegam a parecer uma piada cruel depois que uma seca assolou a fazenda de Giustocio e outras no cinturão de grãos dos Pampas na última temporada. A seca reduziu a produção de soja do ano passado para 37 milhões de toneladas, ante 55 milhões de toneladas inicialmente esperadas.
A situação de Giustocio é emblemática da crise enfrentada por centenas de agricultores na periferia da principal área de produção agrícola da Argentina, uma famosa região fértil centrada no norte de Buenos Aires e nas províncias ao sul de Santa Fé e Córdoba.
Cerca de 2 milhões dos 17,8 milhões de hectares plantados com soja, a principal cultura comercial da Argentina, foram danificados pelas fortes chuvas relacionadas ao fenômeno climático El Niño nesta temporada, disseram à Reuters as duas principais bolsas de grãos da Argentina (Buenos Aires e Rosario).
“As previsões indicam mais problemas nas áreas de crescimento marginal, mas não nas principais regiões produtoras de soja. Então, em geral, o quadro ainda é bom”, disse Esteban Copati, analista-chefe da Bolsa de Grãos de Buenos Aires.