Nível de chuva em abril deve ser o maior em 10 anos; veja razões


Núcleo de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) diz que as chuvas só começam a diminuir em maio. Fatores ligados ao aquecimento dos oceanos ocasionaram os fortes temporais de 2018 e a carência de chuvas em anos anteriores. O nível de chuvas registrados em todo o mês de abril deve ser o maior nos últimos 10 anos no Maranhão. As previsões são do Núcleo de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), que monitora as precipitações em todo o estado.
Casas foram inundadas em Tuntum, após a maior chuva registrada nos últimos 30 anos na região
Reprodução/TV Mirante
Para os pesquisadores, o nível médio de chuva em abril poderá ultrapassar os 570 milímetros ocorridos em 2007, o maior nos últimos anos. Segundo o meteorologista Gunter Reschke, as razões para a baixa quantidade de temporais em anos anteriores ocorreu em razão de fatores desfavoráveis à chuva ligados ao aquecimento dos oceanos atlântico e pacífico. Em 2018, os fatores se inverteram.
“Nós temos dois sistemas de grande escala: El Niño e La Niña pacífico e dipolo do atlântico para ser favorável ou desfavorável para chuvas. Para ser desfavorável, como ocorreu em 2012 a 2016, tivemos a influência do El Niño, que são influências positivas de aquecimento de mar próximo a linha do equador. Além disso, o dipolo do atlântico estava desfavorável, então não tivemos grandes chuvas nesse período”, explicou o meteorologista.
Moradores do bairro Matadouro em Pedreiras (MA) tiveram que ser removidos de suas casas por conta da cheia do rio Mearim.
Reprodução/TV Mirante
Para Gunter, o dipolo do atlântico ocorre próximo a linha do equador. Nessa região esse fenômeno se caracteriza pela interação entre o oceano e a atmosfera nos hemiférios sul e norte e que pode diminuir ou aumentar a formação de nuvens. Em 2018, as fortes chuvas que caem no Maranhão no mês de abril são resultado de uma combinação de fatores ligados ao aquecimento dos oceanos, principalmente ligados ao dipolo do atlântico.
“No dipolo do atlântico favorável às chuvas no Maranhão, a temperatura da superfície do mar do atlântico sul tem que estar mais quente que a do norte. Esse dipolo favorável é responsável por 70% das chuvas que ocorrem do Maranhão. É o que ocorre agora, que se soma ao fenômeno do La Niña, que é o inverso do El Niño, onde ocorre o resfriamento do mar do pacífico”, afirmou.
Oficiais do Exército ajudam a resgatar as vítimas da enchente em Codó (MA).
Reprodução/TV Mirante
Para o Núcleo de Meteorologia da UEMA, o pico de chuvas no Maranhão está ocorrendo em abril e a tendência é de que mais temporais ocorram no estado durante todo o mês. Só em maio o volume de chuvas começa a diminuir, mas com fortes chuvas ainda ocorrendo.
“A nossa previsão é que maio também fique acima da média, mas a partir desse mês as chuvas começam a diminuir aos poucos… assim como no mês de junho”, disse o Gunter Reschke.
Cuidados
Pelas previsões de chuva para o estado, a recomendação é de que a população fique em alerta. O Corpo de Bombeiros emitiu um guia de ações a serem tomadas durante um dia com chuva forte. Veja as orientações:
Antes das chuva
Desobstrua ralos, valas e tubos de coleta de água.
Retire entulhos das ruas e dos quintais.
Providencie a poda dos galhos das árvores.
Dispense o lixo em locais adequados, atenção especial para garrafas e sacolas de plástico.
Durante chuvas intensas
Permaneça em casa e só saia se for necessário.
Desligue equipamentos elétricos da tomada.
Quando estiver na rua, procure abrigo imediatamente.
Afaste-se de árvores, estruturas metálicas, placas ou similares.
Em caso, de emergência, ligar no número 193.
Chuvas no Maranhão
Dados divulgados pela Defesa Civil estadual neste domingo (15) sobre as consequências das chuvas no Maranhão indicam que o número de famílias afetadas já ultrapassa 2 mil no Maranhão. São 2006 famílias que amargam prejuízos por conta dos fortes temporais registrados em todo o estado.
Em Tuntum, a 365 km de São Luís, a chuva quase devastou a cidade durante a maior enchente em 30 anos registrada na região. Em Trizidela do Vale, o rio Mearim está 5 metros acima no nível normal. A Defesa Civil montou barracas em um ginásio de esportes para abrigar 250 famílias afetadas.
Vídeo mostra município de Tuntum alagado após chuva
Já em Codó, a 290 km de São Luís, após o transbordamento do rio Itapecuru equipes da Defesa Civil e do Exército se mobilizam para resgatar as vítimas das enchentes. O nível do rio já está oito metros acima do normal e um ginásio tem servido de abrigo para os moradores afetados.
Em Codó, um ginásio de esportes tem servido de abrigo para os moradores afetados pela inundação no rio Itapecuru
Reprodução/TV Mirante
Como ajudar
Em São Luís, a Cruz Vermelha e a ‘S.O.S Tuntum’ recebem donativos que serão levados para famílias em municípios afetados pelas chuvas. Pela Cruz Vermelha Brasileira, as doações devem ser levadas à sede da filial do Maranhão da Cruz Vermelha Brasileira, que fica na Avenida Getúlio Vargas, 47, Monte Castelo, São Luís. Outra opção é fazer uma doação em dinheiro. Veja mais aqui.
Já a ‘S.O.S Tuntum’ recebe doações na Parada Obrigatória (Localizada na Ponta d’Areia); Tom Music (Av. São Luís Rei de França, Turu); e na Onda Lava Jato (Av. Mario Andreazza, Turu). Para mais informações, clique aqui.
Número de famílias afetadas pelas chuvas já ultrapassa 2 mil no Maranhão
Abertas campanhas de doação para desabrigados pela chuva no Maranhão; Veja como ajudar
Temporal alaga município de Tuntum no Maranhão
Após chuvas, BR-135 é cortada pela água no Maranhão