Na América Latina, só Haiti tem desemprego maior que o Brasil, aponta pesquisa


Levantamento foi feito com base em dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Um pescador pula em um barco de madeira, em Porto Príncipe, no Haiti, país que ocupa a posição 168 de 189 do Índice de Desenvolvimento Humano
Dieu Nalio Chery/AP
A taxa de desemprego no Brasil em 2017 foi a segunda maior de toda a América Latina, atrás apenas do Haiti, e acima da média de todos os continentes, segundo dados do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) com base em informações da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e que foram compilados pelo Valor.
Em meio à crise econômica, o desemprego no ano passado atingiu 12,9% da população brasileira economicamente ativa que tentou buscar um trabalho. Um terço dos jovens entre 15 e 24 anos tentou e não encontrou emprego e 24,8% nem trabalham nem estudam.
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O percentual de desempregados diminuiu pouco este semestre e ficou em 12,3% até julho, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país tem, ao todo, 12,9 milhões sem trabalho, além de 4,8 milhões de desalentados (que desistiram de procurar emprego).
Dos 20 países da América Latina, só o Haiti — que tem apenas o 168º maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 189 países avaliados pela ONU — tem uma situação pior que o Brasil, que é o 79º no ranking do IDH. De acordo o Pnud, 14% dos haitianos estavam desempregados no ano passado, percentual que chegava a 36% dos jovens.
O terceiro país da lista é a Colômbia, com 9% da população desempregada e um índice de jovens fora do mercado de trabalho bem menor, de 18,4%. Mesmo a Venezuela, que vive uma crise econômica e política, aparece melhor que o Brasil: 8,1% dos venezuelanos estavam sem emprego, problema que atingia 17,6% dos que têm entre 15 e 24 anos. A menor taxa de desemprego da região é de Cuba, com 2,6%, índice que vai a 5,5% entre os jovens.
O número de pessoas entre 15 e 24 que nem trabalham nem estudam – conhecidos como geração “nem-nem” – é mais complexo de ser obtido e está defasado no levantamento da ONU, que divulgou o dado mais atual de cada país, mas há alguns em que a informação remete a 2012. No Brasil, os “nem-nem” são 24,8% dos jovens.
Os “nem-nem” não precisam ter procurado emprego, por isso o número de jovens que não trabalham nem estudam costuma ser maior do que os que tentaram encontrar trabalho e não conseguiram. O mais alto da América Latina é no Paraguai, com 37% — a taxa de desemprego da população é bem menor, de 5,8%.
A taxa de desemprego brasileira está acima, inclusive, da média de regiões como a África subsaariana, que tem 7,7% de pessoas sem trabalho (13,6% entre os jovens), e do mundo árabe, onde 10,6% da população economicamente ativa não encontrou emprego (27,5% entre os com menos de 24 anos).
A média entre os países com nível de IDH parecido com o brasileiro (considero na faixa de “alto desenvolvimento humano”) é de 6,3% de desempregados e de 15,3% de jovens sem encontrar trabalho. A defasagem dos números impede calcular a quantidade de “nem-nem”.