Eletrobras perde R$ 2,8 bilhões em valor de mercado após declarações de Bolsonaro


Candidato defendeu privatização de empresas com prejuízo, mas disse que setor de energia será exceção; 10 maiores estatais desvalorizaram 23,2 bilhões nesta quarta-feira (10). A estatal Eletrobras perdeu R$ 2,8 bilhões em valor de mercado nesta quarta-feira (10), após declarações do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) sobre a privatização da companhia. O cálculo foi feito pela provedora de informações financeiras Economatica.
As ações da empresa recuaram 9,25% na bolsa, negociadas a R$ 20,70 – enquanto o Ibovespa, principal índice ações da B3, recuou 2,80%. Mais cedo, os papéis da estatal chegaram a despencar mais de 14%. Veja cotações
Sede da Eletrobras no Rio
Reuters
Na noite da véspera, Bolsonaro afirmou em entrevista à TV Band que tem resistências em relação à privatização na Eletrobras, citando a área de geração de eletricidade. Ele comentou que, se for eleito, no setor de energia elétrica “a gente não vai mexer”, destaca a agência Reuters.
Ações da Eletrobras despencam mais de 9%
Bovespa fecha em queda de 2,8% com cenário eleitoral
Os papéis de outras estatais também sofreram perdas. Juntas, as 10 maiores estatais listadas na bolsa brasileira perderam R$ 23,2 bilhões em valor de mercado nesta quarta-feira, segundo o economista Einar Rivero.
A Petrobras teve queda de 3,24% nas ações preferenciais (com direito a voto), e perdeu 12,5 bilhões em valor de mercado. Banco do Brasil e BB Seguridade desvalorizaram R$ 4,5 bilhões e R$ 600 milhões, respectivamente.
Candidato Jair Bolsonaro (PSL) dá entrevista à Band
Reprodução/Band
Veja abaixo quanto perderam em valor de mercado as 10 maiores estatais de capital aberto:
Petrobras: R$ 12,5 bilhões
Banco do Brasil: R$ 4,5 bilhões
BB Seguridade: R$ 659 milhões
Eletrobras: R$ 2,8 bilhões
BR Distribuidora: R$ 1,2 bilhão
Sabesp: R$ 786 milhões
Banrisul: R$ 180 milhões
Copel: R$ 115 milhões
Copasa: R$ 158 milhões
Sanepar: R$ 89 milhões
Privatização de estatais
Em entrevista, o candidato defendeu a privatização de empresas estatais que deem prejuízo. “Ou até mesmo extinguir”. Mas disse que o setor de geração de energia elétrica será exceção, assim como o “miolo” da Petrobras.
No caso da Eletrobras, o atual governo já privatizou 4 das 6 distribuidoras da estatal, com exceção da unidade no Amazonas, cujo leilão está previsto para 25 de outubro, e a de Alagoas, uma operação suspensa provisoriamente por decisão do Supremo Tribunal Federal.
A venda das distribuidoras é considerada como uma primeira etapa para a privatização da própria Eletrobras, cujo leilão de venda chegou a ser previsto para 2018 pelo governo Michel Temer. O argumento do governo e da companhia é que a Eletrobras ficará mais atrativa para investidores assim que se livrar das distribuidoras, que são fortemente deficitárias.
No final de maio, o governo retirou do Orçamento a previsão de arrecadação extra de R$ 12,2 bilhões no ano com a privatização da Eletrobras, devido à demora na tramitação do projeto que libera essa operação, e com isso a venda da estatal saiu do cronograma do pacote de privatizações de Temer.
Apesar do forte tombo neste quarta, as ações da Eletrobras ainda acumulam alta de cerca de 25% somente em outubro e valorização de cerca de 3% no ano.