China e EUA voltarão a negociar disputa comercial no final de agosto


Anúncio acontece no momento em que cresce a tensão entre os dois países. Bandeiras da China e dos Estados Unidos em imagem de arquivo de encontro diplomático de representantes dos países em abril
Jason Lee/Reuters
A China enviará um negociador aos Estados Unidos no final de agosto para retomar as conversações comerciais, anunciou nesta quinta-feira (16) o ministério chinês do Comércio, no momento em que cresce a tensão entre os dois países.
O vice-ministro do Comércio, Wang Shouwen, se encontrará com o subsecretário americano do Tesouro encarregado de Assuntos Internacionais, David Malpass, a convite dos Estados Unidos, informou o ministério em Pequim.
“A parte chinesa reafirma sua rejeição ao unilateralismo e às práticas de protecionismo comercial, e que não aceita qualquer medida unilateral de restrição comercial”, explicou o ministério.
“A China saúda o diálogo e a comunicação sobre a base da reciprocidade, da igualdade e da integridade”.
As notícias da reunião deram impulso ao iuan e ajudaram a limitar as perdas nos mercados de ações da China.
Guerra comercial: entenda a tensão entre EUA e outras potências
O secretário americano do Comércio, Wilbur Ross, se reuniu em junho, em Pequim, com o vice-premier chinês, Liu He, para abordar questões comerciais, mas o encontro não contribuiu para reduzir as tensões e os Estados Unidos impuseram, no início de julho, tarifas punitivas sobre US$ 34 bilhões em bens importados da China, que retaliou.
As autoridades chinesas anunciaram em 6 de julho medidas de represália contra importações procedentes dos Estados Unidos totalizando 34 bilhões de dólares, envolvendo especialmente carne de porco e soja, e em 8 de agosto acrescentaram mais 16 bilhões (incluindo carvão, instrumentos médicos e resíduos).
A Casa Branca se dispõe a aplicar, na próxima semana, mais taxas aduaneiras, sobre US$ 16 bilhões em bens chineses.
“É difícil dizer que frutos darão estas discussões, mas é um sinal positivo o fato de que os países aceitem uma forma de compromisso”, declarou à AFP Makoto Sengoku, analista do Tokai Tokyo Research Institute. “Não se reuniriam sem estar determinados a solucionar” o problema.
Os responsáveis chineses afirmam que as tarifas ainda não tiveram impacto sobre a economia, já que suas exportações cresceram mais que o previsto, mas analistas consideram que o efeito desta guerra comercial ficará evidente em agosto.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que guerras comerciais são “fáceis de ganhar” e ameaçou adotar tarifas a quase todas as importações chinesas, o que totalizaria US$ 500 bilhões, caso Pequim não adote medidas para reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos com a China, que foi de US$ 375 bilhões em 2017, de acordo com Washington.
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Juliane Almeida/G1