Ao manter Selic, Copom indica que pode subir juros se houver 'piora do cenário'

Para economistas, BC ainda vê um cenário positivo para a economia, mas não descarta mudar política monetária se piora do cenário pressionar a inflação. Ao manter a taxa Selic pela quarta vez em 6,5% ao ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) não surpreendeu e sinalizou que o momento da economia é propício para a decisão, mas ponderou que uma eventual piora do cenário para a inflação e o preço dos ativos pode forçar um retorno gradual de alta dos juros.
No comunicado, o Copom diz que a conjuntura econômica ainda permite uma política de estímulos monetários, ou seja, a manutenção da Selic no patamar atual. “Esse estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora”, diz o comitê.
Para o economista-chefe do Santander, Maurício Molan, o Copom indicou que espera pelo melhor, mas também está preparado para o pior. Este cenário incluiria uma tendência de maior valorização do dólar frente ao real, em sua avaliação.
“Ele diz que até agora está tudo bem, mas se houver uma depreciação cambial [alta do dólar] mais forte daqui para frente, ele terá que começar a retirar os estímulos [voltar a subir os juros]”, afirmou em teleconferência a jornalistas.
Segundo Molan, ainda é cedo para avaliar se o movimento de valorização do dólar é permanente a ponto de pressionar a inflação ou temporário, movido pela incerteza eleitoral.
Menor apetite ao risco
No comunicado, o Copom também citou uma redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes, sobretudo pela normalização da política monetária [alta dos juros] nas economias avançadas.
Na próxima semana, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) vai se reunir novamente, e os analistas esperam o terceiro aumento de juros na economia norte-americana neste ano. Juros mais altos nas economias avançadas têm potencial para atrair recursos aplicados em outros países, sobretudo nos mercados emergentes.
“A gente entende que o BC reconhece uma piora do cenário externo na margem, da última reunião para cá”, afirmou o economista da Mongeral Aegon Investimentos, Julio Cesar Barros.
Reformas
O Comitê também destacou no comunicado que “a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos”.
O próximo encontro do Copom será em 30 e 31 de outubro, portanto, quando será conhecido o novo presidente. O segundo turno ocorre em 27 de outubro. Até lá, espera-se que o futuro governo já sinalize qual será o rumo da política econômica a partir de 2019 e qual será o plano para o acerto das contas públicas.
“O BC reforçou mais uma vez a importância da continuidade das reformas”, afirmou o economista-chefe da Guide, Victor Candido.